O Universia e o Teatro Nacional D. Maria II convidam-te a assistir a Fausto, no próximo dia 29 de maio. A peça está em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II e nós temos 5 convites duplos para oferecer aos nossos fãs.
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A ausência de qualquer um destes dados invalida a participação. As participações serão selecionadas tendo por base uma tabela em múltiplos de 5, ou seja de 5 em 5 participações será atribuÃdo um convite. Para efeitos de ordenação das participações e atribuição dos convites conta a ordem de receção dos emails.
O passatempo termina quarta feira, dia 29 de maio, Ã s 12h.
Fausto está em cena de9 de mAI a 2 de junho de 2013 na Sala Estúdio do TNDM II:
4.ª a sáb. 21h15
dom. 16h15
sessão com interpretação em lÃngua gestual portuguesa | 2 JUN 2013 à s 16h15
Esta peça baseia-se nas obras de Fernando Pessoa e de Christopher Marlowe, com dramaturgia e reescrita do texto por Maria Mendes e Francisco Salgado, encenação de Francisco Salgado e com Pedro Gil, Pedro Lacerda e Mia Farr.
Fausto, de Fernando Pessoa e Doutor Fausto, de Christopher Marlowe, são livremente reconstruÃdos, manipulados e readaptados neste espetáculo, no qual se procura encenar o tão contemporâneo problema da gratificação imediata e das suas consequências. A possibilidade de obtenção rápida de conhecimento e de prazeres leva Fausto a decidir vender a sua alma ao Diabo. Esta decisão baseia-se tanto na crença de que o futuro é uma entidade distante, como na convicção de que o Inferno pode não existir. Terá Fausto consciência das consequências das suas decisões e optará, ainda assim, por as ignorar? Deve-se a natureza deste contrato à s más deliberações de Fausto, ao poder persuasivo de Mefistófeles, ou a um pouco de ambas?
Texto de Maria Mendes
Em Fausto encena-se o tão contemporâneo problema da gratificação imediata e das suas consequências. Neste espectáculo de Francisco Salgado, recriação livre das obras homónimas de Fernando Pessoa e de Christopher Marlowe, caracteriza-se o modo como a possibilidade de obtenção rápida de conhecimento e de prazeres leva Fausto a decidir vender a alma ao Diabo. A actividade inicialmente escolhida por Fausto, a de um estudioso, caracteriza-se pela lenta progressão no tempo, no sentido em que a aprendizagem exige um avolumar de conhecimentos que, para não ser superficial, não pode ser apressada. O seu pacto com o Diabo parece basear-se tanto na crença de que o futuro é uma entidade distante, como na convicção de que o Inferno pode não existir.
A Fausto opõe-se Mefistófeles, comentador da acção, contra-regra do espectáculo, e responsável pela aquisição de mais uma alma para o reino de Lúcifer. A vida do Diabo não se encontra, todavia, facilitada, pois a actividade de dilatar o Inferno, à qual se reúne a de preparar o jogo cénico, revela-se extenuante: “Mas sinto-me cansado, principalmente cansado. Cansado de astros e de leis, e um pouco com vontade de fugir para fora do universo”.
Temos ainda Maria, que poderia fazer Fausto repudiar o pacto assinado, não implicasse o caminho que este escolheu a substituição da capacidade de amar pelas mais prosaicas distracções. Disto, bem como do sentido do pacto realizado, adquire Fausto consciência quando revê Maria, pedindo-lhe que reze por si. A Mefistófeles resta continuar a entreter o jovem até que o prazo estipulado cesse e a sua alma possa por fim pertencer ao Inferno. Não é por acaso que, no final da peça, Maria se transforma em Lúcifer, dando-se ao Rei dos Infernos a cara da virtude que Fausto perdeu.
Pedro Gil enquanto Fausto, Pedro Lacerda na figura de Mefistófeles, e Maria na pessoa de Mia Farr dão corpo a estas personagens, a que correspondem diferenciados planos de acção. A Fausto pertence o espaço da conjuração, o dos livros, onde a acção decorre durante a maior parte do espectáculo. A Mefistófeles cabe a descrição da narrativa e a sua transformação num espaço lúdico, ocupado por música e pelo contacto com o público. Disto se apercebe a certa altura Fausto, que lhe pergunta: “Mas que vem a ser este teatro, Mefistófeles?”. Esta ideia é reforçada pelo desenho de luz de Miguel Cruz, no qual se distinguem duas zonas distintas, destacando-se o ambiente teatral habitado por Mefistófeles através da presença de luzes fluorescentes ou de lâmpadas de vapor de sódio, elementos que trazem um ambiente diabólico à cena. Maria, por sua vez, ocupa o lugar da audiência, da qual sai para comentar e criticar a acção em palco, lembrando-nos assim de que assistimos, na condição de voyeurs, ao envio de uma alma para o Inferno.
O que nos surpreende relativamente a Fausto, tão jovem e supostamente tão sábio, é a sua arrogância, que o leva a ser sucessivamente enganado pelo Diabo, mesmo quando vê o seu sangue coagular no momento da assinatura do pacto. A certeza de que o presente de Fausto merece ser valorizado relativamente ao que seria o seu futuro encontra-se materializada no momento em que Mefistófeles, para o distrair dos seus infortúnios com Maria, o leva para uma viagem. Esta digressão, que no texto de Marlowe é lentamente desenvolvida, foi concentrada neste espectáculo – dramaturgia de Maria Mendes e Francisco Salgado – numa tentativa de corresponder ao rápido passar do tempo para Fausto, qual criança para quem a viagem de carrossel parece sempre curta. Do espaço cénico, composto por Daniel Santos Fernandes e Francisco Salgado, destaca-se uma grua. Ilustrativa de antigas máquinas de cena gregas, mêchanê, a grua aqui surge para levar Fausto ao esquecimento até que o prazo da sua alma termine e a condenação chegue por fim.
Apercebemo-nos assim de que, neste espectáculo, o Diabo somos nós, como nota Fausto no final da peça, falando de si próprio na terceira pessoa: “Pelo prazer de vinte e quatro anos perdeu Fausto a alegria e a felicidade eternas. (…) Nada se conquista, tudo são revezes quando sem satisfação é um desejo alcançado. Agora estou sozinho, acompanhado apenas por ideias pesarosas, pensamentos que deviam, na verdade, ter morrido”. Contudo, o Diabo também é, e aqui reside talvez a natureza mais actual da peça, quem nos leva a procurar, como diria Mefistófeles, o Homem Perfeito e o amante interminável. O poder subversivo deste texto para nós, que vestimos os figurinos pop desportivo de Marta Passadeiras, não é o de apelar à acção, ao individualismo ou ao sucesso, mas sim o de relembrar que no universo que construÃmos existem pessoas e objectos a ser preservados, e tarefas que, a ser bem cumpridas, levam um tempo que é incompatÃvel com o da gratificação imediata.




























